segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Avó simpática





































Vivo numa rua pacata, muito sossegada, pacífica, com vizinhos extraordinários onde a relação entre todos se não se pauta por grande amizade, pelo menos materializa-se por cordiais, esfusiantes cumprimentos.



Há ano e meio fomos agradavelmente surpreendidos por uma remodelação exemplar dos nossos passeios; na verdade, ainda não eram propriamente caminhos de cabras, mas estavam velhos, ondeados, causadores de um ou outro tropeção.



Lama, buracos, trânsitos interrompidos, como é apanágio de qualquer obra deste género... e o tempo que tudo isto levou?! foi imenso, lento para não o apelidar de preguiçoso... os trabalhadores paulatinamente iam esburacando, tapando, destapando, faziam as suas constantes pausas para fumar o seu cigarrito enquanto os seus colegas não fumadores os apreciavam ... não fossem estes trabalhar mais do que os viciados!...



Cenas dignas de serem filmadas!...



Valeu a pena... a calçada à portuguesa ficou perfeita e convidativa a passearmo-nos para lá e para cá vezes sem conta...



Há 3 semanas fomos, de novo, invadidos por um barulho ensurdecedor... ficámos atónitos, perplexos com o aparato com que nos defrontámos... 2 escavadoras medonhas, máquinas de fazer cimento, um batalhão de capacetes, um séquito de sacholas... uma rotura de um cano, por complicada que fosse, não carecia tal ostentação...



Para pasmo de todos, os passeios da nossa rua e seus limítrofes, recentemente renovados, estavam agora a ser estilhaçados, completamente destruídos... Por quê? Presumimos que se tenham esquecido de substituir a canalização previamente, ou... ou...



Situação abjecta, inexplicável, simplesmente contra natura!...



Não fosse o facto de sabermos "que estão mexendo nos nossos bolsos" até nos podíamos descontrair 5 ou 10 minutos apreciando as manobras em execução... se é divertido observar o vai e vem de uma escavadora, já mais patético é assistir à abertura de um buraco... cova feita, 1 ou 2 homens entram nas profundidades e 7 ou 8 rodeiam e contemplam indefinidamente o fosso... fará parte do processo?



Para além do incómodo... o prejuízo que isto representa... a minha rua é o espelho do nosso país... faz-se, desfaz-se, torna-se a fazer e assim se gasta o dinheiro que não temos.



Os meus passeios estão a ser repetidamente torturados, violentados... ai se eles falassem!... "desorganização, descoordenação, desgoverno..., des..., des..., incapacidade, in..., in..." tantos prefixos de negação.



Não tenho dúvida que a minha rua vai ficar novamente simpática... todos os seus moradores o são... e os meus miminhos também não são tão simpáticos?































































segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Avó confiante














Nasceu hoje o bebé nº 7 mil milhões. A notícia não teria relevância especial não nos fizesse ela reflectir que em nada contribuímos para essa porção de gente no mundo!...

A conjuntura económica, social, hoje em dia, tornou-se proibitiva de os casais terem a prole com que sempre ambicionaram, de realizarem os seus sonhos alimentados durante o tempo de enamoramento.

A falta de emprego por precário que seja é raro... os jovens forçosamente têm de investir nos seus curricula... cada vez mais tarde se tornam independentes, autónomos economicamente e... e...

E o que acontece a acrescentar a tudo isto? O tempo vai passando... as jovens deixam de ser jovens e chegamos à situação em que nos encontramos... do nosso país ter a taxa de fecundidade das mais baixas do mundo!...

Infelizmente, se estão à espera de estabilizarem as suas vidas, então, é melhor tirarem "o cavalinho da chuva"... nem na altura da menopausa!...

Vivemos num país envelhecido com uma natalidade atrofiada, definhando cada ano que passa com todas as implicações que daí advêm.

Bebés precisam-se!

Para além do vigor, da genica esfusiante, da alegria que o rejuvenescimento da população nos podia trazer era a nossa mais valia... a nossa sustentabilidade está em causa, o funcionamento da segurança social comprometido... tudo podia mudar...

O meu contributo está aos olhos de todos... miminhos atrás de miminhos... este post é elucidativo da minha aposta convicta na mudança... uma "fornada" de casacos e carapins para recém nascidos...














quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Avó artesã
















A Kitty é, hoje em dia, o ídolo da criançada. A minha neta não é excepção e, se ela faz as suas delícias, por que não "engendrar" uma camisolinha com a sua personagem preferida?!
Difícil?! Nem pensar!..


  • precisamos, obviamente, de uma camisola

  • copiamos a gatita para um papel vegetal

  • certificamo-nos que, com 3 ou 4 alfinetes, conseguimos fixar bem o papel à camisola

  • com uma agulha de coser lãs, bordamos por cima do risco previamente delineado aplicando um qualquer ponto que nos seja mais familiar

  • retiramos os restos do papel de vegetal

"a obra de arte" está terminada e nós muito felizes com a sensação que vamos, seguramente, agradar às nossas netas e partilhar com elas o seu mundo imaginário!...


O casaco cinzento com cores metidas já é mais elaborado, requer algum "traquejo" nestas lides. Aconselho que dêem uma espreitadela num outro trabalho já há muito exposto, em avó desafiadora (Setembro 2010) "exige só e apenas um pouco de paciência para ir desenrolando as várias lãs que entretanto se vão entrelaçando e o cuidado de dar a devida folga entre os vários fios para o trabalho não ficar repuxado. É essencial que o avesso fique perfeito; as laçadas não podem ser nem mais compridas nem mais curtas, impõem um tamanho certo, adequado como se vê na foto" palavras minhas de então, aplicáveis ao modelo actual.





































quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Avó burlada



















Mais uma sugestão! Peculiaridades? Uma golinha redonda, avivada pelo meu picô favorito em roupa de criança (ponto de caranguejo), uns alinhavos na cintura que dão um toque bem elegante e feminino ao vestido e uns buracos na parte inferior que lhe conferem também alguma graciosidade.


Buracos? Sim, mas estes são inofensivos... são enfeites; à força de tanto ouvir tal palavra, (talvez a mais generalizada e disseminada nos últimos tempos) até a mim me ocorre quando falo/escrevo sobre pontos utilizados nos meus miminhos!... Ao que nós chegámos!


Tanto buraco, tanto buraco!... todos os dias desponta mais 1, ... uns grandes, enormes, outros gigantescos a rondar a cratera... uns de autoria assumida e cometidos por ambição política... outros praticados com fins lucrativos por alguém que se confessa descaradamente incólume, ausente de culpas e desavergonhadamente se passeia algures por essas capitais cosmopolitas, quiçá, paraísos fiscais desfrutando do bem estar, "do bem bom" que todos nós, contribuintes, lhes proporcionámos...


Ganharam-no em bom tempo, ou melhor, roubaram-no no tempo em que ainda "o " havia... tornando este país conhecido por aquele rectangulozito à beira mar esburacado...


Agora é que é caso para parafrasear o tão polémico dirigente nortenho "Quantos são, quantos são?!"


Pela magnitude terrífica da situação não foi obra de meia dúzia de intrusos... forçosamente tratou-se de um bando de malfeitores, gentinha de má índole que aproveitou o poder para enriquecer (ilicitamente) sem escrúpulos de qualquer ordem "borrifando-se" simplesmente para a decadência e empobrecimento do país. Fomos burlados!...




























quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Avó inspirada



















Se é certo que as distâncias maiores que podemos percorrer estão dentro de nós próprios, a verdade é que uma fonte inspiradora potencia indubitavelmente todo e qualquer processo criativo.

Apesar de um Verão mascarado, tímido, caprichoso, multifacetado (muitos dias acumulavam as 4 estações), não foi, contutudo, impeditivo de me deliciar com todas as suas "caretas" e me deixar extasiada ao contemplar a pérola eleita da praia - o mar. Ora azul, mansinho, transmitindo uma tranquilidade única, olímpica ... ora revolto, bravo e ruidoso que nem felino assanhado...

Não sei qual deles prefiro - ambos me conquistam, me deleitam, me inspiram...
Foi com este pano de fundo instável, extravagante que estes miminhos, também eles azuis, ... nasceram, cresceram, tomaram forma e se apresentam muito vaidosos e convencidos da sua singularidade!...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Avó contemplada









Finalmente parece ter chegado o Verão! O tempo está a aquecer e o malfadado vento está a perder forças... por quanto tempo nos irá ele dar tréguas?!
Foi a pensar nas manhãs e tardes mais frescas que idealizei esta saiinha de fio de algodão com motivos emblemáticos desta época para vestir por cima de uma camisa ou t-shirt branca ou em tons de azul.
É tempo de férias (para os mais afortunados)... é altura de nos alhearmos da vida do dia a dia, de nos deixarmos andar um pouco nas nuvens, ao sabor das águas... enfim, saborearmos o relaxe, a descontracção de alguns dias por poucos que eles sejam sem esquecermos, contudo, aqueles que por um ou outro motivo, este ano, (quiçá nunca) não foram contemplados com esta benesse tão necessária, merecida, retemperadora! Bom descanso e até Setembro... se Deus quiser...

domingo, 17 de julho de 2011

Avó desconcertada
















Fomos colegas no liceu. Tínhamos, então, uns treze anos - ela sobressaía de toda a turma pela sua estatura, mais alta, mais mulherzinha do que todas nós. De tez clara, a sua face era seda branca envolvida por uns cabelos pretos e brilhantes, sempre de sorriso estampado mesmo que as notas não correspondessem ao esforço empreendido. Estava de bem com a vida, tudo fazia parecer que tinha sido bafejada pela sorte, pela felicidade, que vivia a melhor das maravilhas. Fomo-nos conhecendo melhor ao longo do ano, tornámo-nos amigas... confidenciou-me que era órfã de pai e que não tinha irmãos. A sua família era apenas e só a sua mãe.
Aos dezassete anos, com o liceu terminado, cada uma seguiu o seu curso, a sua vida e, apesar de vivermos na mesma cidade, nunca mais nos tínhamos tornado a ver..
Quis o acaso que nos reencontrássemos muitos anos mais tarde... estava um dia a receber encarregados de educação quando sou surpreendida por uma mãe orgulhosíssima do seu filho ( e bem razões tinha para o ser) ... caímos nos braços uma da outra. Só tinha boas informações para lhe transmitir... o comportamento, o aproveitamento, a relação com os colegas, a sua simpatia ... era um menino de ouro... mas, tal como a mãe, único filho e tinha perdido precocemnete o pai.
Dada a conjuntura circunstancial, esse ano foi farto de reuniões, troca de conversas...
Seguiu-se mais uma década sem sombra nem rasto de qualquer uma de nós...
Um dia... indo ao volante do meu carro apercebi-me que a minha amiga ia a pé na rua... parei o carro... corri ao seu encontro... os seus cabelos já eram cinzentos, o seu sorriso ao ver-me foi discreto, cerimonioso, forçado... fiquei desconcertada e só o percebi quando, lavada em lágrimas me contou que também já tinha perdido o filho. Situação simplesmente comovente, trágica, dramática!
Vivia, (vegetava) com e para a mãe a quem prestava assistência, a sua primeira e última companhia.
E o tempo foi caminhando...


Há dias, num encontro de Vicentinas, deparo-me com uma senhora de cabelos completamente brancos da cor da sua pele, com um sorriso constrangido, parecida com a minha amiga. Era ela... vive sózinha mas não está só, vive para os necessitados... são eles a razão do seu viver... deambula pelas ruas da cidade descarregando energias, angústias, procurando desesperadamente sossego anímico, já que, como ela diz, os químicos aliviam momentaneamente mas... o remédio?... esse só mesmo "cortando a raiz ao pensamento".
Prometi-lhe a ela e a mim própria que nunca mais nos iríamos perder de vista.
Quem sabe se lhe vou conseguir incutir o gosto pelo tricô e, como Vicentinas que somos, ainda iremos fazer muitos casaquinhos como estes para bebés de famílias mais carenciadas?


São as famosas rosinhas de Portugal - um ponto muito feminino, com efeito muito especial como as fotos pretendem demonstrar. Difícil? de todo - do lado direito sempre liga; do avesso matam-se 3 malhas e na seguinte repomo-las; como? na mesma malha fazemos 1 meia, 1 liga, outra meia e assim sucessivamente. Na carreira seguinte, do avesso, desencontramos as malhas - em cima da malha onde matámos as 3, fazemos 3 malhas e matamos as 3 seguintes. Muito fácil mas requer atenção... se nos enganamos, o desmanchar torna-se trabalhoso... cuidado e boa experiência!















segunda-feira, 27 de junho de 2011

Avó decidida


















Andamos mesmo em maré de acordos!... Ele é acordo político, ele é acordo programático, ele é acordo interno, ele é acordo europeu, ele é acordo ortográfico...

Neste emaranhado, labiríntico plantel de acordos, quantos não são os desacordos que estiveram na sua génese e que, somente por via das circunstâncias, o deixaram de ser para passarem a "pseudo acordos"!...

Sempre gostei de acompanhar a evolução dos tempos. Vanguardismo?! não exageremos... contudo, apesar da minha (ainda não provecta) mas já avançada idade, abomino dias mornos, vazios, rotineiros em que nenhuma das suas 24 horas me traga nada de novo, me espicace alguma curiosidade, enfim, me acrescente (por pouco que seja) ou equilibre o meu nível de conhecimentos... sim, porque à medida que o tempo vai passando, muitos dados vão-se "auto deletando" para o disco rígido se ir renovando com novos ficheiros... por quanto tempo?!... isso já é outra conversa...

Sou uma aprendiza compulsiva!...

Contudo, em relação ao acordo ortográfico, a minha adesão não tem sido tão espontânea quanto era suposto.

É com ligeireza/ignorância(?!) que tudo se resolve a partir de agora se retirarmos as consoantes surdas ou usarmos ou não o hífen nas palavras compostas por justaposição... e as excepções?... e tantos outros casos que nos questionam dúvidas e para as quais ainda não temos meios acessíveis, capazes e habilitados para as elucidar?
As minhas previsões para os próximos tempos (que vão ser longos) não são famosas... vão ser múltiplas as versões para um mesmo texto... à conta do acordo ortográfico, tudo vai ser permitido, desculpado...

A minha decisão está tomada - enquanto não me sentir completamente esclarecida vou continuar a escrever de acordo com a antiga ortografia.

Decididíssima também estou a mostrar-vos cada vez mais miminhos sempre com uns laivos de novidade... este gorro a fazer "pendant" com o vestidinho... é lindo, funcional e fácil de concretização!...





















sexta-feira, 3 de junho de 2011

Avó voluntária

























2011 ano europeu do voluntariado. Mas então todos os anos, diria mesmo todos os dias não são dias de voluntariado?!


No mundo global em que vivemos há uma tendência levada ao limite de rotular todos ou quase todos os dias do ano.


Embora compreenda o objectivo de tal prática, lotada dos mais sublimes e bem intencionados propósitos, não deixo de discordar de alguns, não só por se tornarem demasiadamente banais e, como tal, perderem a sua verdadeira essência mas, sobretudo, porque algumas dessas efemérides são passíveis de grandes embaraços, situações muito complexas de se ultrapassarem.


Quão difícil, triste, penoso é o dia da mãe, do pai para todos aqueles que já os não têm, muito especialmente para as crianças que, nas suas escolinhas, dias a fio preparam a festa, fazendo trabalhos, ilustrando-os, escrevendo poemas para os oferecerem... a quem?! Isto não é desumano, ilegítimo? Será que o bom senso aliado a uma abastada dose de diplomacia por parte dos crescidos sejam suficientes para minorar o sofrimento destes seres frágeis e tão vulneráveis???


Mal andará o mundo se temos de ser lembrados para ir aos cemitérios (com frondosos ramos florais) visitar os nossos entes queridos em determinado dia!... E nos outros 364 dias do ano? Simplesmente ficam esquecidos, abandonados às ervas e bicharada?!...


Sou demasiado pragmática e levo aquela já tão desgastada e corriqueira (mas tão assertiva)máxima à exaustão "o dia de natal deve ser todos os dias".


Sou voluntária continuamente e não concebo a nossa existência sem nos dar-mos aos outros particularmente aos que, por um ou outro motivo, se encontram mais fragilizados. Há mil e uma maneiras de exercer o voluntariado - são tão variadas quanto as necessidades da comunidade e a criatividade de quem o pratica não havendo fórmulas nem modelos a serem seguidos. Todos nós temos algumas capacidades, habilidades, dons que, por parcos que sejam, podem fazer bem a alguém e garantidamente nos trazem a nós próprios uma grande satisfação, uma enorme realização pessoal.


" O voluntariado é um hábito do coração e uma virtude cívica" - exige muito amor, muita generosidade, grande solidarização, um altruísmo sem limites e por que não dizê-lo algum ou por vezes muito sacrifício... mas vale a pena!...


E também não vale a pena gastar algum do nosso tempo a fazer um miminho destes?...