terça-feira, 15 de maio de 2012

Avó desiludida

Acabo de chegar a casa do meu passeio matinal! Hoje, fugindo à caminhada rotineira, enveredei por caminhos menos trilhados contudo sobejamente conhecidos por ostentarem grandes vivendas cercadas de belos, frondosos e bem arquitectados jardins...
Uma desilusão!...
Na verdade os jardins são lindos de morrer!
Árvores, arbustos, flores de todas as cores e texturas extravagantemente conjugadas com pedras, relva, casca de pinheiro... aqui e ali fazendo-nos lembrar os famosos jardins babilónicos... cada um tão ou mais lindo e excêntrico do que o do vizinho!... Mas, para os apreciar, tive de refrear o meu entusiasmo não fosse eu pisar o que não queria!...
Indescritível!... os passeios alcatifados com excrementos de animais... para além do cheiro nauseabundo convidativo a moscas e a tudo o que é porcaria trazendo riscos e perigos para a saúde pública, o mau aspecto e o contraste simplesmente inexplicável entre a magnitude, a beleza, a sumptuosidade arquitectónica, o perfume estonteante exalado dos jardins e a lixeira dos passeios envolventes!...
Acabe-se com a impunidade de quem não recolhe os dejectos dos seus animais de estimação!... No mínimo exige-se respeito e preservação de um ambiente limpo e saudável!... Com tanta campanha e estruturas criadas pelos municípios, já vai sendo tempo de mudança das mentalidades e comportamentos!...








Exige-se civismo!!!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Avó esquecida




Vidas difíceis? Se as há!!!!
Há uma boa dúzia de anos que convivo diariamente com uma colega, hoje grande amiga, deficiente visual. Não partilhássemos tantos momentos juntas, nunca me aperceberia da dureza, da austeridade, muitas vezes do sem sentido da sua vida; o esforço, a concentração, o desgaste físico e psicológico permanentes que a cada momento lhe são exigidos, só podem ser ultrapassados com uma gigantesca resistência, uma resignação olímpica, um autêntico estoicismo!... Verdadeiro exemplo de vida... Já me tinha contado que aprendera com a sua avó, ainda em garota, a fazer todas a lides caseiras - limpar, cozinhar e até tricotar!!!
Um dia, estando a começar um dos meus miminhos, sem rumo definido, atrevi-me a pedir-lhe que me desse umas dicas... de imediato, sem nada ter previamente consultado, foi-me indicando ponto por ponto, carreira por carreira e o resultado final foi fantástico.
De tal forma gostei do efeito que me propus, logo que me me foi possível, fazer um outro aplicando os ensinamentos adquiridos;  mas... logo no início, me apercebi que o ponto não era o que constava do original - contudo, fui continuando para ver o produto da experiência. Na verdade a 2ª versão nada tinha a ver com a 1ª. Motivo(s) de tal disparidade? Apenas um: tinha-me esquecido de tricotar uma carreira de meia!!!
Sem qualquer intencionalidade, acabava de descobrir um ponto novo o que nada tem de inédito... - os portugueses também não descobriram fortuitamente o Brasil pensando que estavam a chegar à Índia?!
Eu que há um mês tinha estado com as "mãos na massa" não me lembrei de um pormenor... e ela, ao fim de quase 50 anos, nada lhe tinha falhado!...
É que, devido às circunstâncias, por falta de acessibilidades imediatas, os cegos recorrem a toda a hora à memorização, treinam desmesuradamente a memória e é sabido que é a função que faz o órgão...
"Eu tenho dois casaquinhos e não sei qual deles gosto mais!" como diria Marco Paulo...

terça-feira, 10 de abril de 2012

Avó injustiçada






A transitoriedade e a finitude da vida - tema tão comum, banal, tão comezinho, aparentemente tão interiorizado não fôssemos nós coagidos a questioná -lo de quando em quando, muito especialmente na chegada fulgurante da primavera.
A primavera está aí - arrebatadora, resplandecente, vigorosa; toda a natureza ressuscita, tudo à nossa volta renasce, rejuvenesce... o verde fica mais verde, o azul mais azul, o amarelo mais cintilante...
E nós?
Vamo-nos, paulatinamente, desbotando, perdendo a cor, a força, murchando, tornando-nos, em cada primavera, mais debilitados, definhando, definhando até que...
É justo termos uma só primavera na vida?
Rendendo-me à evidência da minha modesta condição de humana, resta-me não competir com o óbvio mas contrariá-lo, criando primavera à minha volta. Este casaquinho, todo ele inteiriço (ver fotos) de um rosa mais vivo que todas as cores vivas é bem sintomático da necessidade que sinto em contribuir e conviver com a "minha" primavera!...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Avó orfã





Todos nós temos os nossos dias - os bons e os menos bons, os cristalinos e os cinzentos. Não fujo à regra. Hoje sinto-me particularmente triste, sobretudo desassossegada, intranquila... Causas? algumas?... nenhumas?... se as compararmos com as verdadeiras preocupações... as sérias, as graves, as irremediáveis... todas as outras não existem, são simplesmente "peanuts"...
Hoje é o dia do Pai! Toda esta fragilidade, insegurança, falta de auto estima desapareciam de imediato, estou certa, tivesse eu a felicidade de ter as palavras sábias, certas, tranquilizantes vindas de meu pai... acalmar-me-iam e levavam-me com mais facilidade a relativizar o bom e o não tão bom da vida!
Que saudades eu sinto das nossas conversas, dos seus conselhos...dos
seus miminhos!
Miminhos, agora? Só tenho os que faço...também me dão alguma alegria e um certo sentimento de realização pessoal... mas...
Parabéns a todos os pais do mundo bem como a todos os filhos que têm a felicidade de usufruir dessa benção!...

terça-feira, 13 de março de 2012

Avó explicadora





A liga/jarreteira como lhe queiramos chamar é o meu ponto preferido para roupinha de criança, especialmente a de bebé. Podem-se fazer peças totalmente em liga ou, como nestes casaquitos, utilizando-a com pequenas nuances. O 2ºcasaquito, todo ele em fio rosa ficou muito gracioso apenas, para lhe dar uma certa gracinha, recorri a uma carreira de meia do lado direito.
O 1º casaquinho ficou lindo e à primeira impressão parece complicado mas não passa de aparência – é só preciso saber fazer liga e meia; as costas e as mangas são lisas em ponto de meia. As frentes são trabalhadas; como? Faz-se o cós em liga cor de rosa, seguidamente 2 carreiras em rosa e em ponto de meia (o avesso é sempre feito em ponto liga). Depois com lã branca e do lado direito fiz 5 malhas em liga e a 6ª venho-a apanhar ao cós e levo-a para a agulha e teço essa malha conjuntamente com a 6ª da agulha; faço novamente 5 malhas em liga
e capto novamente outra malha do cós…ficamos com a 1ª fila de efeitos; vai-se repetindo este
processo de maneira a desencontrarmos os losangos(?). Fiz com 5 malhas mas
podia optar por 3, 7,… forçosamente um número ímpar para conseguirmos o efeito
desejado. Espero que as fotos complementem e elucidem a minha explicação!...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Avó desconcertada









"Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida..." António Gedeão

Sou uma das milhentas pessoas que anda manifestamente preocupada com toda a situação envolvente e, na minha modestíssima análise conjuntural, tento arquitectar estratégias que pudessem alterar este estado caótico em que nos encontramos.

Faz parte do conhecimento do comum dos mortais que o sono tranquilo ou agitado da noite é reflexo da turbulência ou serenidade em que nos envolvemos ao longo do dia.

Vou partilhar convosco um sonho que tive esta noite, fruto da minha preocupação excessiva se bem que sobejamente fundamentada...

Todos os países do mundo iam começar uma nova era. Este ano iria ser o ano zero... Não havia dívidas, todos iam começar em igualdade de circunstâncias (como se isto fosse possível!) ... e agora que os povos já estavam a consciencializar-se do que era/seria uma verdadeira crise iriam arrepiar caminho, viverem consoante as suas possibilidades e trabalharem, trabalharem, trabalharem...Tinham-se descoberto muitas minas de ouro e pedras preciosas; poços de petróleo abundavam por aqui e por ali... Ao contrário das tão já corriqueiras e balofas cimeiras, ia haver uma séria, altamente austera presidida por novos líderes muito credíveis onde iria ficar acordado que todas estas riquezas seriam distribuídas (percentualmente, é claro) por todos os cantos do mundo!

Mas o sonho não tinha ficado por aqui...

...uma equipa de cientistas portugueses acabava de descobrir a cura para todas as espécies de doenças mais perigosas, raras e malignas!!!...

E ainda...

Uns conceituados astrólogos americanos anunciavam uma mudança comportamental dos fenómenos ambientais que iria impedir tsunamis, terramotos... e repor a normalidade atmosférica de modo a voltarmos a ter as 4 estações bem definidas e a manifestação dessa mudança repercutir-se-ia de imediato com o aparecimento de chuva já nos próximos dias!...

... as pessoas iam viver num mundo perfeito e, assim, também elas iriam ser exemplares, mais pacíficas, iríamos viver em paz, sem guerras, sem hostilidades, sem assaltos, sem criminalidade!!!...

Acordei abruptamente. Foi desconcertante! Afinal tudo não tinha passado de um sonho...

Estas botinhas e saiinha alindadas com uns apontamentos de rosinhas de Portugal é que parecendo serem um sonho são bem uma realidade!...


















segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Avó admoestada
















"Não há fome que não dê em fartura". Na verdade, há já muito tempo que não contemplo o género masculino... para colmatar esta minha falha aqui vão dois casaquitos - se bem que para idades e finalidades distintas... o azul clarinho, trespassado, mais próprio, diria mesmo ideal para usar por cima de um babygrow... o dos coelhinhos para crianças com mais uns mesitos, numa idade em que os animais já lhes despertam alguma atenção... deve fazer um conjunto perfeito com uns calções ou calças com as mesmas tonalidades... vão assemelhar-se a uns homenzitos em miniatura...

Reconheço que são agasalhos muito práticos, muito confortáveis, muito quentinhos, têm a sua beleza, especificidade, mas nada que chegue à graciosidade que imprimimos à roupa de menina...

É mais uma rendinha, mais um lacinho, pormenores avessos e contestados pela masculinidade dos rapazinhos. Eles são mais fortes, mais robustos, menos atreitos a estes artifícios. É incontornável que elas são mais frágeis, lamechas, mais piegas e nós, por tanto as apaparicarmos, (desde logo com as roupinhas) contribuímos, inconscientemente, para exponenciar essa tendência...

Mas, agora, atenção! Temos que refrear todas estas nossas fraquezas... somos admoestados pelos nossos governantes... já o nosso ex presidente Sampaio nos pedia que nos deixássemos de lamúrias... agora o nosso 1º ministro quer que deixemos de ser piegas. Maior sintonia?! Afinal, estão ou não a dizer a mesma coisa? O impacto, a repercussão manobradas na comunicação social é que em nada têm a ver. Pontos de vista diferentes?! Uma questão de contexto?! Interpretação "intencional" ambígua?! Simplesmente critérios?!...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Avó jogadora















Muitas vezes um acessório por despretensioso que pareça é o melhor amigo de um visual...pode marcar a diferença, enriquecer, reforçar, compor o conjunto. Quando bem escolhido, mesmo certeiro, dá presença e vida, monopoliza o todo fazendo-se valer por si, deixando quase imperceptível todo o restante. Um laço, um cinto, um botão... sim, um simples botão pode ser o elemento vital de uma toilette.

Ao longo dos anos, em minha casa, sempre que uma peça de vestuário tinha os dias contados, os seus respectivos botões tinham um destino bem mais digno... continuavam a ter vida numa caixa própria de recordações... quantos deles, ainda hoje, nos fazem reviver fatiotas que usámos em momentos tão marcantes da nossa vida..., são testemunhos..., funcionam como memórias..., são verdadeiros reflexos Pavlovianos.

De Pavlovianos passaram também a ser motivo de diversão, de pedagogia... neste momento é o passa tempo favorito da minha neta que, comigo, engendra jogos e mais brincadeiras utilizando os tantos e variados botões da colecção - contando o conjunto, dividindo-o por cores, por formas, agrupando-os por ordem crescente, decrescente - autênticos " exercícios de matemática"... enfim, para além de servirem de memória futura, estimulam diversas habilidades/capacidades (memória, interesse, concentração, associação...)

... brincando, aprende-se...com as avós...

Este é mais um conjunto de saiinha e casaquinho... todo ele branco... muito fino, muito singelo, conseguido apenas com uns pontos de liga intervalados por pontos de meia;. Fazem-se 17 fiadas inteiras de meia; na 18ª, do lado direito, tricotam-se 2 malhas em liga, seguem-se 2 em meia, 2 em liga...; do avesso (19ªfiada) tudo é feito em liga, na 20ª, ( do direito) novamente 2 em liga, 2 em meia... mas desencontradas da 18ª fiada. No peitilho da saia repetem-se estes pontos apenas com intervalos não de 17 fiadas mas de 3 ou 4. Lindo! Pena o efeito ser tão ofuscado pela qualidade fotográfica!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Avó embevecida












Tendo em conta o "statu quo" em que vivemos e analisando em tom de balanço a recente venda/exposição de Natal na nossa Paróquia, chegamos à conclusão que não tendo sido fantástica, pautou-se por muito razoável, bastante equilibrada. Vendemos muito... o que não significa termos feito dinheiro suficiente para resolvermos muitas das situações aflitivas com que nos confrontamos constantemente... contudo, não vai ser impeditivo de continuarmos com os nossos trabalhinhos, conscientes que exigem muito esforço da nossa parte e apesar de estarem à venda pelo custo praticamente do material utilizado,... tudo o que vem é lucro...mão de obra barata (à borla neste caso)... influência chinesa? Já não bastava uma loja chinoca em cada esquina... agora 21% na EDP... um dia destes é mais a compra de um Banco?!...Qualquer dia será outro negócio?! NEGÓCIOS DA CHINA?! Para quem? Para eles, para nós...? INCÓGNITA!

Para além de aulas e actividades afins nunca na minha vida tinha vendido qualquer outra coisa, artigo, produto... foi uma experiência que não me deixou incólume, indiferente... fez-me reflectir quão trabalhosa, cansativa e tão mal paga é a vida de um artesão por mais empenho, criatividade, originalidade que imprima nas suas obras... elas , na verdade, são apreciadas mas nunca avaliadas nem de perto nem de longe pelo seu justo valor!

A realização pessoal é, sem dúvida, fundamental e muito estimulante. Ficamos, de um modo geral, orgulhosos com o resultado final bem conseguido (este vestidinho com o pormenor da rendinha à volta da gola não me deixou tão embevecida?)... de facto assim é... mas os verdadeiros artesãos que vivem apenas e só das suas peças manufacturadas, sem outra fonte de rendimento? Forçosamente terão de viver cheios de privações!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Avó agradecida














Estamos no Natal! Tempo de adoração! Celebramos o nascimento de Jesus, cercado de mistérios... mas haverá algum nascimento alheio a este mundo de interrogações, incógnitas, enigmas?!...

O nascimento de uma criança é sempre um milagre, uma concretização de um sonho, de um instinto, um privilégio, motivo de uma alegria incomensurável, uma felicidade desmedida, é uma sensação única, a mais feliz de todas as felizes, boa demais para nos pertencer... afigurando-se no limiar do irreal, apresenta-se autêntica, verdadeira...

Neste Natal temos entre nós um presépio ao vivo. A Maria, o rebento mais tenro da família, com apenas alguns dias de vida, rodeada pelos pais muito babados... os avós, tios, primos vão chegando e presenteá-la com muito carinho, muito amor, muito aconchego... A Maria vai ser a protagonista da festa, da reunião da família, alvo de adoração, a personificação do menino Jesus a quem todos vamos agradecer esta dádiva e pedir as maiores bênçãos, as maiores felicidades para a sua vida...

Para além de todo este calor humano não podiam faltar os miminhos desta avó para aquecerem bem a nossa pequerrucha já que o tempo se augura demasiado frio, mesmo gélido... um conjuntinho de vestido, casaco, carapins e a cereja no bolo - uma touquinha - tudo em tons de rosa e cinzento, cores eleitas da "minha colecção deste inverno"...

Santo Natal!