sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Avó exagerada

Férias?
Mil e uma respostas consoante as preferências e a disponibilidade física e económica de cada um: descontração, sossego, lazer, praia, mar, banhos, montanha, termas, sol, calor, divertimento, agitação frenética, delirante, viagens paradisíacas ou simplesmente mudança de local ou só e apenas alterações das actividades rotineiras do dia a dia.
Sem descurar a minha responsabilidade de mãe e avó aposentada proporcionando à família todo o descanso e relaxamento merecidos (desde as lides da casa aos petiscos mais apreciados de cada um), foi numa tranquilidade pacata que passei as férias quebrando um ou outro apontamento trivial como o de substituir o "meu" tricô por uma antiga mas não menos cativante paixão - o croché.
E como quem corre por gosto não cansa, ( e eu até nem sou nada exagerada!!!) os paninhos foram surgindo e multiplicando-se... e o apetite cada vez mais aguçado... paninhos para o cesto do pão, para servir o bolo inglês, para a torta de cenoura, para tapar a jarra da água/vinho, etc... enfim, um rol de adereços que dão um toque de certa delicadeza e requinte, um valor acrescentado a uma refeição, ingredientes básicos de um cardápio de uma Fada do Lar!!!






As fotos traduzem uma parte do produto desse meu passatempo que também, tal como "as malhinhas", é muito relaxnte e ... não deixa de fazer parte da panóplia bem diversificada dos "miminhos de uma avó!"

sábado, 28 de julho de 2012

Avó indignada

Avó indignada


Temperaturas altas? ( em África não existiria uma mata caso a deflagração florestal resultasse das elevadas temperaturas!!!...) Ventos fortes? Mãos criminosas? Organizações interessadas? Falta de prevenção? Penas irrisórias, voláteis, insensíveis dos pirómanos com vasto curriculum (permissivas a que se passeiem de isqueiro na mão por onde quer que seja!?...)
Sem querer interferir na tão já desgastada, infrutífera e sazonal  polémica que tanta tinta faz correr e que nada tem remediado, proponho que nos relembremos das palavras sempre tão sábias, tão pedagógicas e, neste caso, muito premeditadamente infantis de Sophia de Mello Breyner em a "A menina do mar":
"-Trouxe-te isto - disse.
- É uma caixa de fósforos.
- Não é lá muito bonita - disse a menina.
- Não, mas tem lá dentro uma coisa maravilhosa, linda e alegre que se chama fogo. Vais ver.
E o rapaz abriu a caixa e acendeu um fósforo.
A menina deu palmas de alegria...
E o rapaz soprou o fósforo e o fogo apagou-se...
- Tu és bruxo.
- Não sou bruxo. O fogo é assim. Enquanto é pequeno qualquer sopro o apaga. Mas depois de crescido pode devorar florestas e cidades.
...
- Enquanto o fogo é pequeno e tem juízo é o maior amigo do homem: aquece-o no Inverno, cozinha-lhe a comida, alumia-o durante a noite. Mas quando o fogo cresce de mais, zanga-se, enlouquece e fica mais ávido, mais cruel e mais perigoso do que todos os animais ferozes."


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Avó esperançada







O ano lectivo está a expirar mas ao contrário das últimas décadas surge este ano diferente e bem mais promissor.
Não posso estar mais de acordo com algumas medidas tomadas pelo actual ministro - alterações curriculares, maior autonomia das escolas, exames no 2º ciclo, novo estatuto do aluno que, levado a sério, reforça a autoridade do professor, a cultura da disciplina, do trabalho, do mérito, do respeito...
Tal como a maioria dos professores da minha geração é com muita mágoa e frustração que testemunho a degradação do ensino ao longo da minha carreira profissional. De ano para ano, vim assistindo a uma cada vez menor exigência por parte dos professores (imposta superiormente), a menos trabalho e empenho dos alunos, a um crescendo de agitação desfavorável na sala de aula e a um abraçar completamente exagerado às novas tecnologias (máquina de calcular, computador...)levando a um facilitismo imediato e a um repúdio vigoroso à pesquisa de qualquer assunto em manuais próprios.
De uma memorização"talvez" excessiva (embora não nos possamos esquecer que há uma idade própria e que tem de ser treinada) passou-se para uma realidade antagónica em que os alunos têm mais sentido crítico, maior argumentação é verdade mas, na generalidade, muito menos conhecimentos e na maioria das escolas a tudo isto se alia uma certa desorientação, desleixo, indisciplina.
NÃO NOS ESQUEÇAMOS CONTUDO
que somos o país das grandes disparidades económicas, onde se encontram as grandes fortunas e as grandes pobrezas; mas também hoje, em dia, temos uma população jovem altamente diligente, preparada, capaz de competir com as melhores do mundo, aquela que soube captar o bom do ensino tradicional e aproveitou bem e adequadamente os benefícios, as vantagens, os auxílios de toda uma cultura moderna e actual a contrastar com os muitos jovens que saem da  escola com o 9º ano a saber escrever o seu nome e pouco mais!...
ESTOU FELIZ E ESPERANÇADA! Sou adepta dos exames a começarem no 2º ciclo.
Nervos, stress, pressão? Só a irresponsabilidade é alheia a estas sinergias! Apesar de desgastantes, reconheço, são positivas, necessárias ao nosso crescimento intelectual e educativo que nos acompanham ao longo da vida e, apesar de treinadas, perseguem-nos por mais que as queiramos arredar. Quanto melhores formos mais as sentimos... o desempenho do nosso Ronaldo no euro não é o paradigma de tais idiossincrasias?!...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Avó consternada









Que estamos habituados a ser invadidos nas nossas próprias casas por péssimas notícias, não é novidade nenhuma - escutas, mentiras, contradições, buracos, enfim, corrupção... a tudo isto, por força das circunstâncias já nos foms predispondo a receber com tristeza e grande revolta contudo já com uma certa naturalidade?! Efectivamente, há-as inevitáveis, exteriores, alheias à vontade dos nossos governantes... outras há que só a nós nos dizem respeito e evidenciam uma falência de gestão para ser muito suave no seu julgamento.
Fomos informados, há dias, da subida do preço da água e da (tardia) uniformização do respectivo tarifário.
Há quantas décadas que estudos feitos por técnicos altamente credenciados previam a escassez da água e propunham medidas alternativas de remediação para o seu consumo?! Perante tais anunciadas restrições, será lógico, normal, razoável que nada se tenha mudado no sentido de não utilizarmos a água potável que tão dispendiosa nos chega indiscriminadamente na cozinha, nos banhos, nas regas, nos despejos?!
As infra estruturas acarretavam gastos avultados? E as auto estradas paralelas que por aí se construíram e tantas outras parcerias que se apadrinharam não arrasaram os cofres do estado?
À excepção de algumas campanhas apelativas ao seu gasto moderado, nada foi feito, tudo ficou na gaveta!
E em vez de sermos agora contemplados com a boa notícia que por se tratar de um bem tão essencial como o ar e tal como este o devíamos consumir grátis ou por uma módica importância... vamos pagar uma factura ainda mais pesada!...
Em síntese: nítido fracasso de gestão de prioridades e manifesta falta de alcance em prever consequências futuras...

terça-feira, 15 de maio de 2012

Avó desiludida

Acabo de chegar a casa do meu passeio matinal! Hoje, fugindo à caminhada rotineira, enveredei por caminhos menos trilhados contudo sobejamente conhecidos por ostentarem grandes vivendas cercadas de belos, frondosos e bem arquitectados jardins...
Uma desilusão!...
Na verdade os jardins são lindos de morrer!
Árvores, arbustos, flores de todas as cores e texturas extravagantemente conjugadas com pedras, relva, casca de pinheiro... aqui e ali fazendo-nos lembrar os famosos jardins babilónicos... cada um tão ou mais lindo e excêntrico do que o do vizinho!... Mas, para os apreciar, tive de refrear o meu entusiasmo não fosse eu pisar o que não queria!...
Indescritível!... os passeios alcatifados com excrementos de animais... para além do cheiro nauseabundo convidativo a moscas e a tudo o que é porcaria trazendo riscos e perigos para a saúde pública, o mau aspecto e o contraste simplesmente inexplicável entre a magnitude, a beleza, a sumptuosidade arquitectónica, o perfume estonteante exalado dos jardins e a lixeira dos passeios envolventes!...
Acabe-se com a impunidade de quem não recolhe os dejectos dos seus animais de estimação!... No mínimo exige-se respeito e preservação de um ambiente limpo e saudável!... Com tanta campanha e estruturas criadas pelos municípios, já vai sendo tempo de mudança das mentalidades e comportamentos!...








Exige-se civismo!!!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Avó esquecida




Vidas difíceis? Se as há!!!!
Há uma boa dúzia de anos que convivo diariamente com uma colega, hoje grande amiga, deficiente visual. Não partilhássemos tantos momentos juntas, nunca me aperceberia da dureza, da austeridade, muitas vezes do sem sentido da sua vida; o esforço, a concentração, o desgaste físico e psicológico permanentes que a cada momento lhe são exigidos, só podem ser ultrapassados com uma gigantesca resistência, uma resignação olímpica, um autêntico estoicismo!... Verdadeiro exemplo de vida... Já me tinha contado que aprendera com a sua avó, ainda em garota, a fazer todas a lides caseiras - limpar, cozinhar e até tricotar!!!
Um dia, estando a começar um dos meus miminhos, sem rumo definido, atrevi-me a pedir-lhe que me desse umas dicas... de imediato, sem nada ter previamente consultado, foi-me indicando ponto por ponto, carreira por carreira e o resultado final foi fantástico.
De tal forma gostei do efeito que me propus, logo que me me foi possível, fazer um outro aplicando os ensinamentos adquiridos;  mas... logo no início, me apercebi que o ponto não era o que constava do original - contudo, fui continuando para ver o produto da experiência. Na verdade a 2ª versão nada tinha a ver com a 1ª. Motivo(s) de tal disparidade? Apenas um: tinha-me esquecido de tricotar uma carreira de meia!!!
Sem qualquer intencionalidade, acabava de descobrir um ponto novo o que nada tem de inédito... - os portugueses também não descobriram fortuitamente o Brasil pensando que estavam a chegar à Índia?!
Eu que há um mês tinha estado com as "mãos na massa" não me lembrei de um pormenor... e ela, ao fim de quase 50 anos, nada lhe tinha falhado!...
É que, devido às circunstâncias, por falta de acessibilidades imediatas, os cegos recorrem a toda a hora à memorização, treinam desmesuradamente a memória e é sabido que é a função que faz o órgão...
"Eu tenho dois casaquinhos e não sei qual deles gosto mais!" como diria Marco Paulo...

terça-feira, 10 de abril de 2012

Avó injustiçada






A transitoriedade e a finitude da vida - tema tão comum, banal, tão comezinho, aparentemente tão interiorizado não fôssemos nós coagidos a questioná -lo de quando em quando, muito especialmente na chegada fulgurante da primavera.
A primavera está aí - arrebatadora, resplandecente, vigorosa; toda a natureza ressuscita, tudo à nossa volta renasce, rejuvenesce... o verde fica mais verde, o azul mais azul, o amarelo mais cintilante...
E nós?
Vamo-nos, paulatinamente, desbotando, perdendo a cor, a força, murchando, tornando-nos, em cada primavera, mais debilitados, definhando, definhando até que...
É justo termos uma só primavera na vida?
Rendendo-me à evidência da minha modesta condição de humana, resta-me não competir com o óbvio mas contrariá-lo, criando primavera à minha volta. Este casaquinho, todo ele inteiriço (ver fotos) de um rosa mais vivo que todas as cores vivas é bem sintomático da necessidade que sinto em contribuir e conviver com a "minha" primavera!...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Avó orfã





Todos nós temos os nossos dias - os bons e os menos bons, os cristalinos e os cinzentos. Não fujo à regra. Hoje sinto-me particularmente triste, sobretudo desassossegada, intranquila... Causas? algumas?... nenhumas?... se as compararmos com as verdadeiras preocupações... as sérias, as graves, as irremediáveis... todas as outras não existem, são simplesmente "peanuts"...
Hoje é o dia do Pai! Toda esta fragilidade, insegurança, falta de auto estima desapareciam de imediato, estou certa, tivesse eu a felicidade de ter as palavras sábias, certas, tranquilizantes vindas de meu pai... acalmar-me-iam e levavam-me com mais facilidade a relativizar o bom e o não tão bom da vida!
Que saudades eu sinto das nossas conversas, dos seus conselhos...dos
seus miminhos!
Miminhos, agora? Só tenho os que faço...também me dão alguma alegria e um certo sentimento de realização pessoal... mas...
Parabéns a todos os pais do mundo bem como a todos os filhos que têm a felicidade de usufruir dessa benção!...

terça-feira, 13 de março de 2012

Avó explicadora





A liga/jarreteira como lhe queiramos chamar é o meu ponto preferido para roupinha de criança, especialmente a de bebé. Podem-se fazer peças totalmente em liga ou, como nestes casaquitos, utilizando-a com pequenas nuances. O 2ºcasaquito, todo ele em fio rosa ficou muito gracioso apenas, para lhe dar uma certa gracinha, recorri a uma carreira de meia do lado direito.
O 1º casaquinho ficou lindo e à primeira impressão parece complicado mas não passa de aparência – é só preciso saber fazer liga e meia; as costas e as mangas são lisas em ponto de meia. As frentes são trabalhadas; como? Faz-se o cós em liga cor de rosa, seguidamente 2 carreiras em rosa e em ponto de meia (o avesso é sempre feito em ponto liga). Depois com lã branca e do lado direito fiz 5 malhas em liga e a 6ª venho-a apanhar ao cós e levo-a para a agulha e teço essa malha conjuntamente com a 6ª da agulha; faço novamente 5 malhas em liga
e capto novamente outra malha do cós…ficamos com a 1ª fila de efeitos; vai-se repetindo este
processo de maneira a desencontrarmos os losangos(?). Fiz com 5 malhas mas
podia optar por 3, 7,… forçosamente um número ímpar para conseguirmos o efeito
desejado. Espero que as fotos complementem e elucidem a minha explicação!...