sexta-feira, 26 de julho de 2013

Avó penalizada


Faz-se, desfaz-se, torna-se a fazer… não, não estou a referir-me ao tricô, ao croché, à costura onde todas essas práticas para além de normais são pedagógicas…
Tive de ouvir, tornar a ouvir, ver e rever e muito me  esforçar para acreditar no que se estava a passar no meu país!
Uns amuos recalcados, umas birras irresponsáveis, uns caprichos infantilizados  tinham posto por terra um governo já por si tão estremecido, frágil, deveras abanado!!! “Eram decisões irrevogáveis”.
Ainda não refeitos de tamanha notícia, foi-nos anunciado que afinal já não havia mortos… os lázaros ressuscitados surgiram de mãos dadas, muito cordeirinhos, simulando ignorar as pesadas repercussões causadas por tais comportamentos!!! Empatia forçada? Disfarçada? Ou simplesmente hipocrisia?! Personalidades!?
Pobre povo que assim é (des)governado!
O que é hoje, pode-o não ser amanhã e, para a semana, pode-o ser novamente!!! A imprevisibilidade instalou-se feroz e agressivamente entre nós!!! Que pena!!!









quinta-feira, 20 de junho de 2013

Avó limitada













 
Costurando sem saber costurar!
Não, não tenho quaisquer dotes para a costura, de todo… confessava-me uma negação absoluta, uma perfeita nulidade nesta arte… contudo, nunca tinha experimentado…  e com uma dica daqui, outra dacolá, o resultado está à vista… Estes meus vestidinhos são a prova “provada” que, quando nos empenhamos muito, conseguimos alcançar os nossos objectivos. Evidentemente que, por de trás desta minha experiência, esteve subjacente uma decisão nada ingénua, bastante ardilosa, algo fraudulenta para colmatar as minhas professas incapacidades - conjugar o meu já muito calejado tricô com esta estreante actividade. “Quem não tem cão, caça com gato.”
E, como é obvio, temos que começar pelo mais simples… os franzidos, as preguinhas,… e não esquecer que o material é muito importante… nada de tesouras rombas, nada de agulhas de coser tricô, como eu comecei por utilizar!!!
As mangas, os decotes, as cavas ficam para “outras núpcias”…
Até ao momento o que mais me apreende é coser à máquina… não é propriamente um gráfico da actividade sísmica dos Açores mas o meu ponto ainda nada tem a ver com a suposta definição de recta!!! É preciso treino, muito treino e exige bastante concentração, não se pense que é “chupar cana e assobiar ao mesmo tempo”!
Apesar das minhas limitações, a combinação resultou, não resultou?!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Avó omissa


Mariana – Babá, hoje não me contas uma história?
Eu – Claro, vamos lá! Na semana passada…lá muito…
Mariana – Mas, babá, isso não é uma história. As histórias começam sempre “Era uma vez” ou “Há muitos anos”..
Eu – Geralmente é como dizes… mas esta história é mesmo verdadeira, aconteceu há uns dias…lá muito, muito longe, na China… as autoridades foram chamadas por alguém que dizia ter ouvido um choro de um bebé… e sabes de onde vinham os gemidos?!... Vinham de um cano muito sujo e bolorento do prédio velho que essa pessoa habitava!!! Os polícias testemunharam o facto, imediatamente pediram socorro aos bombeiros para esclarecerem e aliviarem aquele aflitivo e desesperado chamamento. Desconfiados de certezas, cuidadosa e cirurgicamente serraram os canos e levaram com toda a velocidade a tubagem para o hospital onde, com muita ansiedade, muita perícia mas também com muita eficácia tiraram um bebé pequenino, um recém nascido com 2k e pouco, todo encolhidinho… o cano era muito estreito… repara na palma da mão da babá… era mais apertado do que este espaço!...
Mariana – E ele estava vivo?
Eu – Sim, mas muito sofrido, como podes imaginar!... Os médicos trataram muito bem dele para que pudesse sobreviver e ter muita saúde…
Mariana – E quem o pôs no esgoto?
Eu – Foi a sua própria mãe que o deixou escorregar pela sanita a baixo!!!...
Mariana – Mas isso não pode ser verdade! Todas as mães são boas… só os maus e as madrastas é que fazem maldades!
Eu- É verdade… mas esta mãe estava muito doente, sem forças e não conseguiu segurar o filho!!!
Mariana – E agora o menino? Vai viver com quem?
Eu – Há já muitas pessoas que o querem adotar, tratar dele, dar-lhe todo o amor, carinho e miminhos que ele merece…
Mariana – Então é uma história verdadeira, muito triste com final feliz…
Eu – É uma história com muita história e que vai fazer história…
Mariana  - O que estás a dizer?
Eu – Um dia, quando fores mais crescida, vamo-nos relembrar deste acontecimento e conversar sobre as condições miseráveis em que nascem e vivem a maior parte dos chinezitos, o elevado número de abandono de bebés, conhecer as regras que as mães têm de obedecer para terem os seus filhos, ou melhor, o seu único filho … e muitas, muitas outras coisas…








terça-feira, 14 de maio de 2013

Avó violentada


Sendo muito pragmática e esquecendo quaisquer considerações filosóficas, (se não as domino, como as posso esquecer!?) a liberdade traduz-se, no dia a dia, em várias liberdades: pensar, ler, escrever o que me apetece, falar com quem simpatizo, opinar sobre assuntos que me agradam,  levantar-me e deitar-me à hora que quero, enfim, organizar-me segundo os meus interesses e conveniências, tendo, evidentemente, sempre como premissa que é uma liberdade condicionada por tudo o que existe à minha volta, não sendo, portanto, nunca completamente absoluta.
Doloroso, inadmissível, cruel é chegarem-nos ao conhecimento (sec.XXI) casos, atrás de casos de seres humanos ainda muito genuínos, nas suas mais belas e promissoras idades a quem lhes é retirado brutal e animalescamente esse direito tão intrínseco, essencial, precioso, abusando deles violentamente, emparedando-os, acorrentando-os como se de perigosos criminosos se tratasse. Nem todos têm o mesmo final - uns desaparecem para todo o sempre deixando famílias amarguradas, destroçadas num luto céptico que as leva a andar por aí, simplesmente a vegetar.
Outros, ao fim de uma década, despertam para a vida, vindo de um estado de “coma” profundo, acordado, vivido cheio de tortura, pesadelo, consciente de impotência ou quem sabe sempre esperançado de, se não hoje, amanhã ou um dia destes conseguir uma nova estratégia, uma escapatória  libertadora.
E depois destas provações escabrosas haverá medicina, psicologia… capazes de reabilitar tamanhos traumas, tamanhas fragilidades? Vamos ter esperança!
Força, força! Coragem, muita coragem!
Vale a pena viver a vida com liberdade!










terça-feira, 23 de abril de 2013

Avó presenteada











Tudo começou no dia 28 de Outubro de mil novecentos e setenta e cinco quando uma família foi  presenteada com uma jóia rara e única como o são todas as verdadeiras pedras preciosas. Muito bem esculpida, burilada ao detalhe, uma autêntica perfeição, alvo de enternecimento e alegria por parte de todos! Mas (esta e outras que tais adversativas sempre incómodas e intrusas) este estado de graça ao fim de 3 meses foi terrivelmente beliscado; uma constatação terrífica, brutal forçou aquela família a ter redobrados cuidados para a não perder… uma história muito dolorosa , deveras difícil que só teve um final feliz porque Deus existe, a ciência é sabedora e, sobretudo, porque a nossa pedra preciosa teve força, rebeldia, obstinação suficientes para se deixar recuperar.
Apesar da sua 1ª infância conturbada, nada nem ninguém a demovia. Ela era a maior ginasta, dançarina, brincalhona, era a líder da miudagem! Mais tarde, a par de uma carreira académica sempre pautada por grande responsabilidade, foi adquirindo dotes especiais muito sui generis - uma imitadora  exímia, com um sentido de humor altamente invejável, enfim, predicados que fazem dela uma presença imprescindível para o sucesso, a diversão de um qualquer encontro familiar ou de amigos. 
E, agora , foi a vez  da nossa pérola (mais bela do que nunca) com o seu recém marido nos terem brindado com uma festa muito bonita, cheia de surpresas, de tudo o que não estávamos a contar nomeadamente que, num momento destes , fossem capazes de se lembrar de causas tão solidárias como a do nariz vermelho!!! Tuxa, por muito tempo que ainda vivesse, jamais esqueceria um gesto tão simpático, de  tamanha  nobreza ! Fico a aguardar a oportunidade de também eu te presentear com alguns dos meus miminhos! Muitas felicidades! Ad multos annos! Uma tia tremendamente orgulhosa!!!