quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Avó eficaz








Este casaco da Mariana feito há 2 anos continua a ser um dos meus preferidos – a combinação das cores, a execução exímia do entrelaçamento das lãs, enfim, o todo em si agrada-me bastante.
Intencionalmente já o fiz mais avantajado, contudo as crianças crescem e as roupinhas não obedecem à lei da proporcionalidade direta. Está como novo, impecável, sem qualquer vestígio de borboto ( o que, tratando-se de lãs, não é despiciendo), só as mangas…na verdade estão curtas.
Estava fora de questão abandoná-lo à passividade… mas como  reciclar? Desmanchar o supostamente indesmanchável numa cor escura? Os meus olhos negam-se determinantemente a tamanho esforço…limitações!...
“A dona necessidade é mãe da precisão” - depois de muito congeminar, optei por fazer um segundo punho com dimensão adequada que ajustei ao primeiro, resultando, com toda a eficácia, uma nova manga do tamanho desejado.
Estou certa que irei repetir muitas mais vezes esta prática que aconselho por ser uma solução rápida, fácil e infalível!!!
 
 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Avó leitora







Estávamos ainda no Estado Novo... a censura implantadíssima nos pontos mais recônditos do nosso Portugal.... e aparece o semanário Expresso... foi há 40 anos... eu tinha os meus 20... era uma jovem que lia livros, os recomendados e os proibidos (só porque o eram, tornavam-se ainda mais apetecíveis!...). Jornais? Para além do Diário de Coimbra, alcunhado regionalmente de "Calino" e os da tarde "Diário Popular", " A Capital" e "Diário de Lisboa" não me despertava interesse qualquer outro.
Surge o Expresso com uma frescura, novidade, muito sumarento, muito original... nessa altura, meu pai, já bastante debilitado, fazia uns tratamentos especiais, deveras desconfortáveis que exigiam a sua total e absoluta imobilidade; para lhe fazer companhia e o ajudar a suportar aquelas horas de suplício, lia-lhe o então recém chegado jornal, de ponta a ponta, que ele muito sábia e pedagogicamente ia comentando. Foi neste contexto que aprendi a gostar de ler jornais... o gosto pela leitura também se cultiva...
Na verdade, desde esses tempos, tem sido o meu semanário eleito... não obstante a minha preferência, não tenho a veleidade de o ler na íntegra... tenho as minhas páginas familiares, os meus opinadores favoritos, estou muito mais seletiva... e devo confessar que não gosto de notícias requentadas...  andar dias seguidos com o mesmo jornal?!..
Claro que, tal como a maioria dos seus leitores, o sábado é o dia de grande entrega à sua leitura…tornou-se um ritual…é com imensa expectativa que o vamos comprar, abrir, saboreá-lo olfativamente e finalmente ler.
O seu percurso tem sido notável. A sua enorme qualidade, a sua expressa imparcialidade tornaram-no numa referência insofismável, num verdadeiro símbolo. Parabéns ao Expresso e a todos os responsáveis pela sua excelência!...
Tenho esperança que os meus netos para quem agora leio tantas e tantas histórias, um dia, também eles sintam prazer em me fazer companhia e quem sabe me adormecer lendo-me um bom livro, o velhinho mas sempre conceituado Expresso ou uma simples história ou canção de embalar!... Não dizem que, em velhinhos, voltamos a ser crianças?!...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Avó enamorada

O tempo é psicológico, consoante o contexto em que é vivido, é preguiçoso e enfadonho que nem caracol em dias abrasadores ora é agradável, estimulante e, então, torna-se fugaz, veloz como o pensamento...
Passaram-se 4 anos... foi tudo tão rápido... tinha acabado de ser avó e coincidentemente coagida a deixar a minha vida profissional que tanto me preenchia e que eu tanto gostava!...
"Uma catástrofe!" ... pensava eu...
Todavia, uma genica "inquietante" que me caracteriza e uma mente ainda razoavelmente ativa não me deixaram abater; foram os promotores responsáveis de uma mudança radical de vida:
voluntariado em várias vertentes, acompanhamento na educação da minha neta, dedicação mais disciplinada e regular às lides domésticas, à leitura e,... umas "escapadelas" a um outro mundo, o mundo do tricô!...
Para quem temia que o tempo sobrasse!?...
Agora tenho de frenar um pouco todos estes meus apetites... por uma boa causa... o Francisco já nasceu e eu quero acompanhar o seu crescimento, dar-lhe muito carinho, amor, muita atenção ... mas os miminhos vão continuar... estou certa que ele me vai inspirar... este fatinho já não será indício dessa minha convicção?




quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Avó confiante

Acabámos de presenciar o acontecimento mais relevante do ano de 2012 - a eleição do Presidente dos EUA. Apesar de bastante renhida, os eleitores americanoss, muito mais comedidos do que há 4 anos atrás, (tempo em que acreditavam que tinha chegado o Salvador da Pátria) deram, agora, tangencialmente a vitória a Obama.
Causas desta atitude moderada? Entre outras - as expectativas terem sido demasiadas, excessivas... o país também estar mergulhado num caos económico... com um desemprego assustador... o seu antecessor não ter sido um Sócrates mas um Bush igualmente irresponsável e megalómano... ...
Algumas promessas foram cumpridas, outras não passaram de ser anunciadas... enfim, deram-lhe o benefício da dúvida para neste novo mandato colmatar as lacunas alistadas e, assim, se redimir perante não só os seus eleitores mas todo o mundo!!!
Apesar de assistirmos hoje a uma falência de verdadeiros estadistas, (esperamos, para bem de todos, ser temporária) Obama tem tem um certo perfil de líder - é inteligente, empenhado, carismático, novo (contudo com grande experiência de vida pública "digna" (num mundo de corruptos!...não é despiciendo...), aliando-se a tudo isto uma presença física bem simpática, de enorme vitalidade com uma oratória fluente, dinâmica, sedutora e sobretudo revelando o tal "feelig" intuição política, expressão máxima de um grande governante.
Mas daí ao receber um Prémio Nobel da Paz!!!... Precipitações, imprudências?!!!...
Não nos podendo esquecer que a tarefa de governar um país com tamanha dimensão (6 fusos horários!!!), vamos acreditar que ele vai "dar a volta" pois todos nós, povo do mundo dependemos do êxito ou fracasso da sua política.






BOM TRABALHO, BOA SORTE, OBAMA!

domingo, 7 de outubro de 2012

Avó expectante

A vida dá-nos netos para nos compensar de todas as perdas trazidas pelo amontoar dos anos - as nossas incapacidades físicas e mentais, o vazio deixado por todos aqueles pedaços que fomos perdendo sempre que partia alguém que muito amávamos...
São amores novos, profundos, capazes de amenizar o desconforto da saudade, da nostalgia e nos despertar para um novo sentido de viver, para uma outra esperança mais encorajadora.











Depois da Mariana, vem aí o Francisco para quem esta avó expectante prepara a sua chegada com muito amor e disponibilidade bem traduzidos na diversidade de miminhos já prontinhos para o aquecer nos dias frios de inverno!...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Avó exagerada

Férias?
Mil e uma respostas consoante as preferências e a disponibilidade física e económica de cada um: descontração, sossego, lazer, praia, mar, banhos, montanha, termas, sol, calor, divertimento, agitação frenética, delirante, viagens paradisíacas ou simplesmente mudança de local ou só e apenas alterações das actividades rotineiras do dia a dia.
Sem descurar a minha responsabilidade de mãe e avó aposentada proporcionando à família todo o descanso e relaxamento merecidos (desde as lides da casa aos petiscos mais apreciados de cada um), foi numa tranquilidade pacata que passei as férias quebrando um ou outro apontamento trivial como o de substituir o "meu" tricô por uma antiga mas não menos cativante paixão - o croché.
E como quem corre por gosto não cansa, ( e eu até nem sou nada exagerada!!!) os paninhos foram surgindo e multiplicando-se... e o apetite cada vez mais aguçado... paninhos para o cesto do pão, para servir o bolo inglês, para a torta de cenoura, para tapar a jarra da água/vinho, etc... enfim, um rol de adereços que dão um toque de certa delicadeza e requinte, um valor acrescentado a uma refeição, ingredientes básicos de um cardápio de uma Fada do Lar!!!






As fotos traduzem uma parte do produto desse meu passatempo que também, tal como "as malhinhas", é muito relaxnte e ... não deixa de fazer parte da panóplia bem diversificada dos "miminhos de uma avó!"

sábado, 28 de julho de 2012

Avó indignada

Avó indignada


Temperaturas altas? ( em África não existiria uma mata caso a deflagração florestal resultasse das elevadas temperaturas!!!...) Ventos fortes? Mãos criminosas? Organizações interessadas? Falta de prevenção? Penas irrisórias, voláteis, insensíveis dos pirómanos com vasto curriculum (permissivas a que se passeiem de isqueiro na mão por onde quer que seja!?...)
Sem querer interferir na tão já desgastada, infrutífera e sazonal  polémica que tanta tinta faz correr e que nada tem remediado, proponho que nos relembremos das palavras sempre tão sábias, tão pedagógicas e, neste caso, muito premeditadamente infantis de Sophia de Mello Breyner em a "A menina do mar":
"-Trouxe-te isto - disse.
- É uma caixa de fósforos.
- Não é lá muito bonita - disse a menina.
- Não, mas tem lá dentro uma coisa maravilhosa, linda e alegre que se chama fogo. Vais ver.
E o rapaz abriu a caixa e acendeu um fósforo.
A menina deu palmas de alegria...
E o rapaz soprou o fósforo e o fogo apagou-se...
- Tu és bruxo.
- Não sou bruxo. O fogo é assim. Enquanto é pequeno qualquer sopro o apaga. Mas depois de crescido pode devorar florestas e cidades.
...
- Enquanto o fogo é pequeno e tem juízo é o maior amigo do homem: aquece-o no Inverno, cozinha-lhe a comida, alumia-o durante a noite. Mas quando o fogo cresce de mais, zanga-se, enlouquece e fica mais ávido, mais cruel e mais perigoso do que todos os animais ferozes."